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http://carcarapegamataecome.blogspot.com
É Carcará Pega Mata e Come, camará.
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25.7.09
9.4.09
é o fim... é outro começo.
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Venho aqui hoje apenas para informar que este blog, que surgiu há longevos sete quase oito anos, e já estava em banho-maria, agora deve finalmente ter seu fim.
Não o apagarei. Deixarei que o tempo se encarregue dele.
No momento, estudo a hipótese de criar um outro blog, voltado para minha área profissional.
Volto para dizer o nome e endereço.
6.4.09
Tentativa de extorsão
Dois casos confirmados nessa tarde de segunda-feira, em Campos dos Goytacazes, de tentativa de extorsão por telefone.
Em ambos os casos, o bandido se identificou como fugitivo de um tiroteio e disse que apanhara o (a) filho (a) como refém. A partir daí, pediu um resgate em valor de créditos de telefone celular pré-pago.
Felizmente, os dois casos aconteceram em famílias suficientemente informadas e inteligentes que não cederam à tentativa de extorsão.
Caso mais alguém venha a ser vítima desse crime que desagrega a emoção deixando familiares em estado lastimável de sofrimento até localizar o parente dito sequestrado, seguem algumas dicas:
a) não diga o nome de seu parente ao telefone;
b) desligue o telefone ao primeiro sinal de trote/extorsão e tente localizar o parente;
c) ou ouça a ligação, concordando, e tente localizar o parente o mais rápido possível.
d) não retorne, em hipótese alguma, a ligação.
Se alguém souber de outra pessoa que tenha sofrido a extorsão ou a tentativa de extorsão, avise.
29.3.09
Go ou gol
28.3.09
Diga-me com quem andas
Tem gente que vai apagar as luzes hoje, em Campos e no mundo, por sessenta minutos? Manifestação? Conscientização? É sobre o aquecimento global?
Estou fora.
Essa ong que está organizando isso, assim como milhares de outras, sobrevive graças à farsa montada acerca do motivo do aquecimento global. Dizem baseados em estudos discutíveis que a culpa é do CO2, logo, do homem moderno, e não têm como provar cientificamente a coisa.
-- E em Campos vai haver, na hora combinada, uma procissão com "velas acesas".
-- Péra aí... velas acesas? Mas... elas não liberam CO2?
De protesto contra essa falta do que fazer eu pretendo acender todas as luzes de minha casa, por uma hora, e do quintal, e da varanda.
Pois, a pós.
A temática "cultura afro-brasileira e africana" absolutamente não me interessa. Acho monótono, infantil, distante de minha realidade, estrangeira na verdade.
Mas a despeito de tudo isso sou obrigado a cursar um módulo de arte afro-brasileira na pós-graduação - sei lá por que - ainda que eu esteja na linha de história geral moderna e contemporânea.
E sou obrigado a dizer que não me senti nem um pouco estimulado durante as primeiras aulas: a uma porque foram exibidas sucessões de slides de duração de quatro horas; a duas porque foram distribuídos textos para "interpretação em grupo" totalmente desinteressantes e/ou primários; e a três porque foram feitos alguns comentários sobre a história, afirmações categóricas erradas como sendo verdadeiras.
Tudo bem que quem fez as tais afirmações não era da área de história, mas a coisa descambou para o surreal em alguns casos, como a aluna que manifestou seu desentendimento acerca de um texto em que estava escrito que "na áfrica tinha povos falantes, de língua xis, de lingua zê, etc", e a aluna não sabia o que significava o tal "povo falante". Quando recorri ao texto vi a ignorância da leitura da garota. O texto dizia que havia na áfrica povos falantes do dialeto xis, do dialeto zê, etc. e ela, a menina, simplesmente inseriu uma vírgula entre a palavra falantes e o complemento do dialeto. Anta.
Esse oba-oba que é a moda de falar, estudar, pesquisar cultura afro-brasileira me enche o saco.
E tenho dito.
12.3.09
Há erros que quase acertam
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São folclóricos determinados erros da imprensa nacional, principalmente aqueles erros que trazem novos significados às frases onde aparecem, como, por exemplo, quando se quis dizer que o ministro fulano de tal após sofrer acidente, desembarcou em Brasília amparado por duas mulatas (quando se queria dizer muletas); ou, então, a daquele revisor que, ao querer informar, na seção de clima, o céu limpo, tirou a letra "e" da palavra céu.
Hoje, navegando pelo jornal fmanha encontrei na coluna de Saulo Peçanha mais uma dessas pérolas sob o título "mais um". Querendo dizer, de determinado político, que sua trajetória começou cedo, tropeçou e escreveu: "A suja trajetória política começou cedo, aos nove anos de idade, quando fundou o primeiro Comitê Mirim do PDT no Brasil".
Vai aí, abaixo, um print da tela onde aparece a frase, marcada de vermelho. Clique para ampliar.
1.3.09
Divertido ou pervertido?
Que a ciência tem seu lado divertido, ninguém duvida. Basta dar uma olhado nos premiados pelo IgNobel. Agora, que a ciência tem um lado pervertido isso sim é contraditório.
Veja a notícia que encontrei no MDig:
Ringtone que aumenta os seios das mulheres
Há algum tempo li uma nota sobre o assunto e, por questões óbvias, não dei atenção a informação insólita. Hoje descobri que o tom bateu um recorde ao ser baixado 18 mil vezes num período de cinco dias. O ringtone foi criado pelo renomado Dr. Hideto Tomabechi, que se popularizou há alguns anos ao desenvolver um método de reverter os efeitos provocados pelo gás Sarin no metrô de Tóquio.
Segundo Tomabechi, o tom estimula o cérebro de forma subliminar com sons de um bebê quando quer mamar, fazendo que os seios reajam e aumentem de tamanho. Escutar várias vezes ao dia o ringtone produz um incremento nos seios de pelo menos 2 centímetros.Continuo bastante cético sobre o assunto, mas parece que há estudos sobre reações físicas ante estímulos subliminares do cérebro já há bastante tempo, e ademais descobri que o Discovery Channel realizou um experimento utilizando o tom de Tomabechi para comprovar se realmente funcionava. O resultado foi surpreendente: os seios das garotas que participaram da experiência aumentaram em média 3 centímetros de tamanho.
Mulheres, esqueçam os implantes.Para baixar/ouvir o ringtone, clique neste link
[Arquivo mp3] com o botão direito e escolha Salvar Destino como.
20.2.09
E a ONU, hem? E o jornalismo, hem? E os blogueiros, hem?
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Já publiquei aqui minhas impressões meio que dissonantes acerca do conflito entre Israel e Hamas. Digo "meio que dissonantes" porque percebi na blogosfera e em muitos meios de comunicação um certo romantismo ou ingênuo idealismo ou, ainda, um idealismo canhestro e maldoso, que defendia o Hamas e demonizava Israel. Alguns comentários chegam ao anti-semitismo, embora os comentaristas, blogueiros e jornalistas neguem até a morte esse viés de discriminação.
Entretanto, trago o assunto novamente à pauta porque, por ocasião de um dos bombardeiros que Israel infligìu à Faixa de Gaza, blogueiros e jornalistas levantaram gritos acusando Israel de bombardear uma escola. Na época fiquei na minha, mas pensei conforme meu raciocínio: Israel por acaso adora matar criancinhas? Já disse, e torno a afirmar, que não havia por parte dos judeus uma sanha por sangue. Se os judeus têm sanha por algo, posso afirmar que é por paz e tranquilidade.
No mesmo período, vi em alguns jornais europeus, os mesmos jornais que são tachados como sendo de "extrema direita", reportagens que afirmavam que o bombardeio supra citado se deu próximo à escola.
Agora, confirmada essa última versão, e confirmada que a própria ONU cedeu à campanha difamatória promovida pelo Hamas em desfavor de Israel, nenhum dos blogueiros e jornalistas se dignaram uma retratação. O que no fim só traz como conclusão a parcialidade inocente ou maldosa de suas opiniões. Ou sua ignorância.
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Alláh Akbar
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Sara Sheeva, cuja primeira profissão foi ser filha de Baby Consuelo e Pepeu Gomes, e cuja segunda profissão foi ser “cantadeira” junto com suas duas irmãs num grupo chamado SNZ,encontrou finalmente sua terceira e – diz – última profissão: evangélica.
Não que eu esteja denegrindo quem é evangélico. Sara Sheeva é que, ao se converter, está. Mas a verdade é que nós estamos cansados de ver essas – arram – cantoras se convertendo e se desconvertendo. Mas desde a conversão de Gretchen e sua famosa versão gospel do único sucesso de sua vida ( Jesus é rei, ô, ô, ô... Jesus é rei, ô, ô, ô... Jesus é rei, ô, ô, ô... oh, mon amour!) que eu não vejo uma convertida tão, digamos, bizarra.
Lendo a revista Veja na última terça-feira caiu-me nos olhos a entrevista de Sara Sheeva e suas pérolas de sabedoria. Lá vão:
“Um deles (dos livros que pretende escrever) será sobre o poder do sexo de transferir espíritos de um parceiro para o outro. Pode-se até pegar um espírito do mal.”
“Já fui até ninfomaníaca, mas não transo há nove anos e não beijo na boca há sete.”
“Em 1997, vi uma pessoa próxima de mim incorporada por um espírito, um bicho horroroso. Orei e Jesus falou comigo.”
“Eu dou palestras e expulso demônios das pessoas.”
“Outro dia mesmo conheci uma mulher que ressuscitou depois de três dias.”
Agora, me diga: essa mulher não é totalmente lelé da cuca?
Se sexo transmite espírito de uma pessoa para outra, a camisinha não resolveria esse problema? Ou, melhor: e se não houver penetração (introductio pennis intra vas)? Por onde o espírito entra? Hem? Hem?
Quem é que vai ter coragem de beijar esse estrupício, rapaz? Alguém já viu a mulher? Bata no liquidificador Pepeu Gomes e Baby Consuelo e você verá como ela se parece. E com essa cabecinha, ainda mais, não há salvação para a encalhada.
Agora, dizer que conheceu alguém que ressuscitou depois de três dias é besteira, besteirinha, bobagenzinha de quem não conhece o mundo e suas excentricidades. Eu queria ver é ela dizer que conheceu uma pessoa que, mesmo morta, continuou andando, falando, trabalhando, comendo, e tal. É. Um zumbi mesmo. Conheceu? Hem? Conheceu? Não? Então.
-- Está na hora de apresentar JR pra ela.
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7.2.09
Sousândrade
Canto Décimo
-O Inferno de Wall Street
(O GUESA, tendo atravessado as ANTILHAS, crê-se livre dos
XEQUES e penetra em NEW-YORK-STOCK-EXCHANGE; a Voz dosdesertos:)
1
— Orfeu, Dante, Enéias, ao inferno
Desceram, o Inca há de subir...
— Ogni sp'ranza lasciate,
Che entrate...
— Swedenborg, há mundo porvir?
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5.2.09
E. M. de Melo e Castro
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A poesia é um gozo
um uso sabido
do erro errado
A poesia é um gozo
e se o não é
a culpa é do vizinho do lado
A poesia é um gozo
de palavras paralelas
daquelas que não há
A poesia é um gozo
como um osso encravado
A poesia é um gozo
o leitor
deve sentir-se gozado.
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Outsider
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Sempre me intrigou a figura do outsider. Intrigou e fascinou. Todos os outsiders da história me fascinam e mesmo eu me sinto um pouco outsider.
O diabo, por exemplo. Fascinante.
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4.2.09
Um dia, férias.
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Observei que o pessegueiro de repente floriu. Não. Não era primavera, nem outono. O verão ainda ia pelo meio dos tubos de protetor solar. O pessegueiro se solarizava, bronzeado antes da hora. Eu caminhei por entre os pessegueiros, galopei no perfume daquelas flores, drogado como um jovem sob o efeito de seu primeiro fumo.
Depois percebi dezenas de abelhas tranqüilamente repousando numa colméia, à beira-mar. Um pau sequer alvoroçou nem umazinha, quase só coçadinha, e o mel não tinha salitre mas deixou em mim um gosto de mar, de amplidão leve e azul.
Deitei na areia. Um siri – todo íris – andava normalmente como qualquer outro animal: pra frente, avante, adiante. E não corria: ciscava aqui e ali, parava olhando o sol, me rodeava deixando bolinhas de areia por todo o canto. Quase tive pena de sair dali e destruir com meus pés aquela arte.
— O plural de siri deveria ser siríris.
Pensei que a moça do biquíni florido não fosse dar por minha presença, mas deu como se não tivesse, olhou, sorriu, retirou a parte de cima e deitou, mais pra lá, longe das bolinhas de areia, vezenquando soprando as gotinhas de suor que escorriam de seus seios. Eu mamava com os olhos aquele amorenamento. Ela vezenquando soprava as gotinhas de suor, vezenquando olhava em minha direção. Eu fazia um relógio de sol, com o pau a pino.
O mar estava com a temperatura exata, nem mais nem menos, agradabilíssima, e as ondas tinham algo de textura de seda, ou de camurça, que batiam maciamente na pele.
Será que ninguém percebeu que a areia não escaldava?
Mais distante, crianças brincavam provavelmente de bife à milanesa. Um cavalinho de platiplanto pastava.
Os quiosques estavam lotados de nenhum bêbado com todos aqueles bobo-alegres cantando-bebendo-dançando-namorando. As mulheres explodiam beleza para todos os gostos, balançando os corpos em ritmo de hipnotismo. As crianças bebiam a água de coco com gosto de estrelas longínquas. Havia uma canção inaudível no vento que abraçava quem fosse e quem viesse, quase numa valsa.
Foi reportado nenhum caso de afogamento, naquele dia, mas muitos casos de paixões e aventuras amorosas virariam lenda entre os mais jovens e motivo de graça, entre os mais velhos. Nenhuma broxada se registrou, seja em cama, mesa ou banho. Nem desagrado, nem desafeto.
Se houve mortes? Claro que sim. Todas tranqüilas cujas almas viraram nenúfares no paraíso, decerto. E sem drama ou dor ou tristeza excessiva, o que havia era excesso de paz e conformidade.
Nenhum terremoto, nenhuma catástrofe natural, nenhum acidente no mundo inteiro. Nenhuma arma foi disparada.
O papa leu contos da carochinha na janela, pra multidão.
Árabes e palestinos assinaram tratados de paz, cantando o bem vence o mal, espanta o temporal...
Isso tudo aconteceu no mundo, naquele dia, naquele único dia inteiro de férias que tirei, dois mil e nove anos depois.
Voltei ao trabalho.
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Nota de Falecimento
E-mail recebido do PPGH -UFF
O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade FederalFluminense cumpre o doloroso dever de comunicar o falecimento de Mariade Fátima Gouvêa, professora doutora do nosso colegiado, e um de seusmais destacados quadros no âmbito da história moderna e colonial.Fátima ingressou no Departamento de Historia da UFF em 1991, e logodeu início às atividades na Pós-Graduação. No Departamento deHistoria, foi uma das fundadoras do NUPEHC, Núcleo de Pesquisa emHistória Cultural, do qual foi coordenadora em vários períodos.Pesquisadora 1 do CNPq, participante do projeto PRONEX CulturasPolíticas Usos do Passado, Cientista do Nosso Estado/FAPERJ, Fátimaacabava de ver publicado o livro /O Império das Províncias/, frutoainda inédito de sua pesquisa de doutorado, antigo sonho finalmenterealizado.Autora de inúmeros artigos em revistas especializadas, co-organizadorade obra de referência para a historiografia do Brasil Colonial e doImpério Português na Época Moderna, / O Antigo Regime nos Trópicos/,orientadora de doutores, mestre e graduandos, deixa em andamentoimportante projeto editorial sobre a historiografia do BrasilColonial, reunindo especialistas na área do Brasil e do exterior. Suaausência é perda irreparável para a historiografia brasileira e para oPPGH em especial. Foi também mulher valente e valorosa, como sabemtodos que tiveram o prazer de conviver com ela. Maria de Fátima deixaum filho, Luigi, de 13 anos, que deve se orgulhar da brilhante, aindaque curta, vida da mãe.Fátima faleceu em Lisboa, no dia 30 de janeiro.Seu corpo foi cremado no dia 2 de fevereiro nesta mesma cidade.
Hebe Mattos
Martha Abreu
3.2.09
Barack Obama, de J.P. Coutinho
Obama começa a sua aventura com expectativas que não são deste mundo. Onde é que eu já vi este filme? Precisamente: em 1997. Blair era o rosto da "mudança". Deu no que deu. Sem falar de outros salvadores que não são do meu tempo, como Jimmy Carter, que durou um miserável mandato.
Não desejo igual sorte a Obama e, mais, tenho certa simpatia pelo homem. Obama entendeu, e entendeu bem, que a sua vitória não o autorizava a refundar a América com os delírios radicais da praxe. Os americanos estavam cansados de Bush; mas não estavam cansados de um certo "pragmatismo" que faz parte da identidade nativa. Obama agiu em conformidade. Facto: a Energia ou a Educação, por exemplo, foram parar a mãos reconhecidamente "liberais". Mas nas pastas pesadas, como a Segurança, Obama enxotou a ideologia e optou, sensatamente, por uma certa continuidade do segundo mandato de Bush. Que o mesmo é dizer: retirar gradualmente do Iraque; não perder o Afeganistão; abrir os olhos para o Paquistão e para o Irão.
E a Economia? Os especialistas falam de um retorno a Roosevelt e à despesa federal maciça como alavanca da economia. Duvido. Obama parece propor, na verdade, uma engenhosa mistura de Roosevelt com Reagan: despesa federal, sim, mas sem esquecer um corte nos impostos para famílias e empresas como forma de garantir o consumo e o investimento. Será que chega?
Não perca a resposta nos próximos capítulos.
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daqui
--> A propósito, o texto sobre Cristiano Ronaldo também é excepcional.
1.2.09
Bomba! Bomba! Bomba!
Fico sabendo, por Ancelmo Gois, que o Rapper MV Bill deixou o Conselho Curador da TV Brasil. É o velho caso de nada a coisa alguma.
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Por outro lado, fiquei sabendo, "en passant", que o tiozinho da furação 2000, ou o tiozinho do funk, aquele ex-marido da loura do funk, vereadora no Rio de Janeiro, vai ser secretário municipal de cultura no Rio.
Comentário, please.
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13.1.09
Amor est ars
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Não seria bom se pudéssemos cair nos braços das mulheres, sem cair em suas mãos? Esse raciocínio é de H. L. Mencken. Mas não é genial?
Na segunda metade do século passado, Mencken já adiantava o que sentimos hoje, e isso é atributo de grande romancista, embora ele tenha sido somente (somente?) um grande jornalista. Aliás, adiantava não. Porque olhando o passado vemos quantos homens caíram nas mãos de mulheres quando desejavam apenas estar em seus braços, e foram miseráveis – a maioria, a história nos conta – ou foram miserabilizados. Infelizmente, a história nos conta das tragédias e desgraças. Não lembro de pronto de qualquer homem que, uma vez nos braços da amada, não tenha sucumbido às suas garras. O contrário também é verdadeiro? Aceito. Mas vejo que em menor proporção e de forma muito menos dramática. Impérios caíram só porque alguns homens sucumbiram aos encantos das mulheres.
E isso aqui não é reprimenda. Traço, antes, loas a essas mulheres. Os homens que se viram desgraçados nos braços – e nas mãos – das amadas, sucumbiram em regozijo. Porque o amor, ainda que doído, ainda que sofrido, não deixa nunca de ser o amor e, por isso, sublime.
Filosofo. Mas o que quero dizer é: as mulheres, ainda que nos levem à ruína, são maravilhosas; ainda que nos levem ao desespero e à morte, são sublimes; ainda que nos levem ao crime e à perversidade, ao submundo e à marginalidade, são anjos que iluminam a mais escura das vias, e nos tornam mais humanos, porque nos fazem encarar a fraqueza que tanto escondemos nas disputas de futebol e nas conversas de botequim.
- Olha só como Dira Paes continua maravilhosa, Menezes.
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1.1.09
Notável Inesperado
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O mínimo que se pode esperar, quando se viaja para uma cidade ou um centro turístico, é a afabilidade e a simpatia dos nativos. Por isso, quando o que se encontra é o reverso, as situações que provoca, por serem inesperadas, são notáveis.
Estou falando de Guarapari, no litoral do Espírito Santo.
Nunca visitei uma cidade mais triste. As pessoas, os nativos, têm tristeza no olhar. Além disso, ou talvez por causa dessa tristeza que lhes assume a alma, são grosseiros, deseducados e mal-humorados. Com a louvável e grata exceção do proprietário de um sebo da cidade, que me brindou com ótima conversa sobre literatura e algumas curiosidades. Por exemplo: parte da biblioteca do poeta Carlos Nejar, antigo morador da cidade, foi comprada pelo dono desse sebo, o que pude comprovar a veracidade através das dezenas de livros com a assinatura do poeta, inclusive adquirindo um Mencken em bom estado e também assinado por Nejar. Aliás, em relação a este último, vi, numa das estantes, uma coleção do Novo Testamento Católico, comentado, também já pertencente a Nejar e que possuía, por mais incrível que possa parecer, todas as imagens cobertas por uma folha de papel colado. Algum psiquiatra um dia ainda poderá fazer um estudo desse caso, vai se entender.
Mas eu estava dizendo a péssima impressão que tive dos nativos de Guarapari, e tenho exemplos demais, mais do que gostaria, para justificar: desde o garçom que, ao ver no pedido que fizemos, de substituição do purê de batatas por batatas –fritas, um disparate e logo avisando que não podia substituir e que se quiséssemos batatas-fritas teríamos que pedir também essas, além do purê, até o atendimento das duas padarias que tive o desprazer de freqüentar: padaria Pão Gostoso, onde todos os funcionários tinham na camiseta a inscrição “em treinamento”, provavelmente em treinamento de grosseria e mal-atendimento; e uma outra, que nem lembro o nome, no final, ou no início, sei lá, da avenida Joaquim da silva lima, de frente para a praça, onde os preços eram absurdos até para padrão de metrópoles.
Mas não foi apenas isso. Bastou o dia 31 de dezembro se aproximar do dia 01 de janeiro, mais especificamente, após as oito da noite do dia 31, para os preços de todas as bebidas geladas darem um salto: a cerveja que estava a dois reais cresceu, repentinamente, para três na mesma proporção do mau-atendimento.
Nos supermercados, e me parece que a rede Santo Antônio domina a cidade, a coisa não foi diferente. Aliás, foi aqui que percebi que não havia saída: para qualquer padaria que olhasse, seja uma padaria de supermercado ou outra, de bairro, o que se via era a mais absoluta falta de higiene: funcionários apanhando pães com as mãos, sem touca, coçando o suor e segurando o alimento, um horror, um horror.
O beco da fome, uma calçadinha que chamam de calçadão e que dá passagem da avenida Joaquim da Silva Lima para a avenida atlântica, tem esse nome porque faz jus. Restaurantes com péssimo atendimento, com péssimo alimento, com péssimo gosto. Um frango frito sem sabor, uma polenta frita sem sal, uma batata frita tristonha e engordurada, um arroz pegajoso, uma carne de aparência desagradável, e a pizza, meu deus, a pizza mais parecia uma fatia de pão de tão fofa, com alguns ingredientes jogados em cima. No beco da fome se passa fome, concluí.
Ressalva, mais uma, para o excelente restaurante mineiro João de Barro, onde se come por preço honesto uma excelente refeição. Os torresminhos estavam divinos, e a empada com recheio de maçã agradou em cheio a patroa.
Infelizmente, fui obrigado, por questão de saúde de familiar, a conhecer a rede de saúde da Unimed local: uma lástima. Primeiro: somente um hospital e uma clínica estavam funcionando (tudo bem, era trinta e um de dezembro, pela manhã, mas eu não pago uma fortuna a esse plano justamente para ter a melhor cobertura nacional?): Hospital São Pedro e Baby “sei-lá-o-quê”. A Santa Casa local tem plano de saúde próprio e, por isso, não atende pela Unimed.
Fomos ao Hospital São Pedro, onde uma atendente pra lá de entediada e desinteressada nos disse que estavam superlotados e que os atendimentos pediátricos estavam sendo direcionados para o Baby “sei-lá-o-quê”. Neste, por sua vez, havia uma dezena de crianças chorando e mães e pais desesperados e apenas um pediatra para atender a todos. A enfermeira demonstrava, a todo momento, sua inaptidão para o cargo, desvencilhando-se inclusive de medicar uma criança e pedido à mãe para fazê-lo. Ou seja: em Guarapari, se você precisar de um hospital ou clínica decente, desista; vá para Vitória ou volte para sua cidade.
Aliás, eu estou escrevendo tudo isso, na verdade, para dizer que, fora a beleza das praias, não vá, em hipótese nenhuma, para Guarapari. Você será maltratado pelos nativos, sofrerá preços absurdos que o farão se sentir com uma tatuagem na testa escrita “idiota”, receberá péssimos serviços e, ainda por cima, terá péssimas lembranças.
Quer ter férias felizes: passe longe de Guarapari.
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31.12.08
Curiosidades da literatura – 03: Edgar Allan Poe
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- Cresceu numa casa que se situava ao lado de um cemitério.
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- A escola onde estudava funcionava exatamente dentro de um cemitério, e o professor de matemática ensinava cálculo percorrendo as lápides e pedindo aos alunos para somar, subtraír, multiplicar ou dividir os números constantes naquelas lápides.
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- As aulas de educação física também eram ao ar livre, ou seja, dentro do cemitério.
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- Sua mais famosa obra, O corvo, foi repetidamente publicada em livros e jornais, mas Poe nada ganhou porque não registrou a obra como sua e, por isso, perdeu uma fortuna em direitos autorais.
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- Todos os anos, desde 1949, um fã misterioso, vestido com uma capa preta, visita o túmulo de Poe no dia do seu aniversário. Ninguém sabe quem é o fã nem este jamais se identificou.
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- O time de futebol de Baltimore, Ravens (Corvo), ao decidir ter um mascote, em 1998, “descascou”, em campo, três ovos que, por incrível que pareça, estavam prontos pro nascimento e deram três mascotes ao time: Edgar; Alan e Poe.
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29.12.08
Curiosidades da literatura – 02: Charles Dickens
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- Dickens era adepto do hipnotismo e, diz-se, curou algumas pessoas utilizando-se desse artifício.
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- Escreveu um Best-seller atrás do outro, em sua época.
- Era compulsivo com organização, passando horas arrumando o escritório ou, sério, penteando os cabelos.
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- Frequentava com assiduidade o necrotério de Paris, onde corpos de indigentes e desconhecidos aguardavam alguém que os reconhecesse.
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27.12.08
Curiosidades da literatura – 01: Walt Whitman
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- Whitman era apaixonado por Abrahan Lincoln, para quem fez o famoso poema cujos versos são lembrados pelo professor Keating no filme sociedade dos poetas mortos: oh, captain! My captain!
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- O encontro entre Whitman e Oscar Wilde foi marcado por um beijo na boca, do qual Wilde lembrava sempre, se vangloriando.
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- Whitman tinha verdadeira adoração por tipos grosseiros, como cocheiros, trabalhadores de cais, trabalhadores braçais em geral, o que talvez explique sua paixão por Lincoln.
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- Em Folhas de relva, sua obra editada e reeditada, várias vezes reescrita, Whitman exalta: a masturbação, o homossexualismo, a natureza e o ufanismo.
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24.12.08
Por fim, mas não o fim
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20.12.08
O fim, o início. Será que é isso?
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O fim de cada ano faz as pessoas, por paradoxal que pareça mas, na verdade, bastante compreensível, pensarem no início do ano que se aproxima. Apenas questão cultural, cronológica, sei lá, mas é isso mesmo. De qualquer forma, são extremos que se tocam: o fim de um ano / o começo de outro ano. Mas são extremos que levam muitos a reflexões: as mais simples (e os mais simplórios) fazem os planos de praxe: emagrecer, parar de fumar, parar de beber, passar na escola, trabalhar mais e melhor, ou trabalhar menos, etc. Eu, claro, estou aí incluído. Mas a verdade é que ninguém que eu conheça jamais me falou: ano que vem vou encontrar um grande amor.
As pessoas se prometem coisas mirabolantes para o ano novo, mas esquecem o mais básico. Tudo bem que alguém poderia dizer isso aí não dá pra planejar. Não dá, não dá, mas dá para almejar, claro que sim. E não seria essa a grande meta da vida? Não é para isso que todos vivemos e corremos nesses dias tão loucos que, às vezes, nos parecem tão vãos?
Encontrar o grande amor deveria ser a meta principal de cada um de nós (nós, aqui, força de expressão, claro, porque alguns já encontraram ou julgam que encontraram seu grande amor): grande amor, claro, aquele sentido e correspondido.
Digo isso porque, a reboque ou como estímulo, encontrar o grande amor poderia desencadear muitas outras mudanças importantes, que tantas vezes almejamos mas, ao longo do tempo, acabamos por desanimar: emagrecer, engordar, economizar, parar de fumar, etc, etc. Afinal, nunca se sabe como será esse grande amor e, dependendo de nosso afinco, temos que jogar todas as fichas, aumentar a probabilidade, se possível e necessário, dando uma forcinha para o acaso e a mãe-natureza.
Digo isso porque encontrar o grande amor se assemelha a mudar a vida, reviravoltear a vida, o mundo, e qualquer ociosidade, preguiça ou desinteresse pode por tudo a perder.
Não penso o grande amor como aquele do à primeira vista. Muitas vezes, para encontrar o grande amor, é preciso conquistar, lutar, insistir, usar de estratégia e astúcia, e, mais importante, ter coragem de aceitar esse grande amor. Porque ele é muito perigoso, vai exigir de você sua vida em troca de um outro tipo de existência, vai querer que você reveja seus valores e sua percepção de mundo, é algo novo e, como tudo o que é novo, pode meter medo. Não tema. O grande amor, apesar de feroz, é pacífico, e apesar de violento, é exangue.
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